O Brasil chegou aos anos 60 mais inserido no contexto internacional, com um parque industrial crescente, agricultura forte e riquezas minerais expressivas. A política acabou por frear um processo que se mostrava bastante promissor.

Mesmo assim, grandes obras foram realizadas diante da necessidade de atender Brasília, que atraía uma rede de novas estradas, ou São Paulo, o emergente polo econômico, para onde convergiu a nova indústria.

Grandes fábricas foram instaladas em cidades, tais como; Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema (o chamado ABCD paulista).

O Plano de Metas de certa forma atingia assim o seu objetivo. Mas o impulso industrial foi tão intenso que alguns setores passaram a produzir mais do que o mercado interno era capaz de absorver.

Em 1961, tomou posse o presidente Jânio Quadros, que renunciou sete meses depois. O vice, João Goulart, assumiu, mas não conseguiu evitar o enfrentamento entre as forças político-econômicas. Em 1964, os militares assumiram o poder, através de um golpe militar.

Desfile cívico militar em comemoração à inauguração de Brasília (1960)

Desfile cívico militar em comemoração à inauguração de Brasília (1960)

A crise econômica instalou-se, de certa forma apagando a euforia predominante nos anos anteriores. O planejamento estratégico econômico nacional foi redefinido pelos governos militares. Surgiram, então, o déficit público, a alta inflacionária e a incapacidade da estrutura financeira para responder às novas exigências de linhas de crédito.

O Estado passou a direcionar investimentos não só para a infraestrutura, mas também para os recursos humanos e para determinadas indústrias carentes de capital.

Grandes projetos passaram a ser implementados por empresas públicas, tais como a Rede Ferroviária Federal, Eletrobrás e, mais tarde, pela Siderbras. E, mais uma vez, o seguro e o resseguro contribuíram para a viabilização de tais projetos.

O novo cenário financeiro levou o Governo a criar o Banco Central do Brasil e o Conselho Monetário Nacional, que vieram a definir a política monetária, fixando as taxas de juros e as regras de concessão de crédito. A lei que ordenou o mercado de capitais definiu os tipos de instituições financeiras, demarcando-lhes o âmbito e regulamentando as formas de captação. Dessa forma, surgiu um sistema que responderia às diferentes demandas, desde o crédito direto ao consumidor até os grandes financiamentos para as obras de infraestrutura e a indústria de base.

Esse processo refletiu também no mercado de seguros. Um marco na história do setor ocorreu em setembro de 1966, quando foi permitido às seguradoras efetuarem cobrança bancária dos seguros, o que trouxe mais liquidez ao mercado, pois as empresas puderam, a partir de então, vincular a vigência dos contratos de seguros ao comprovante de pagamento bancário.

Dois meses depois, em 21 de novembro, foi sancionado o Decreto Lei nº 73, que criou todo o Sistema Nacional de Seguros Privados, conforme o conhecemos hoje. Esse decreto deu ao IRB poderes regulatórios sobre o setor de resseguros.

Em 1969, o IRB pode comprovar, mais uma vez, o quanto era importante para a sociedade. O Ressegurador pagou as indenizações de três grandes sinistros: TV Paulista, incêndio da Volkswagen, ambos em São Paulo, e fábrica de biscoitos Marilu, no Rio de Janeiro. Foi uma posição importante, pois o mercado passava por um momento delicado na época, com muitas seguradoras descapitalizadas.

A partir de 1967, o País superou a crise iniciada no começo da década e retomou o crescimento. Em 1968, a economia cresceu 9,3%, graças ao desempenho da indústria, que se expandiu 15,5%. O incremento baseava-se na existência de uma enorme capacidade ociosa: em 1967, a capacidade produtiva ocupada era apenas 75% do que fora em 1961. Nascia ali, o famoso “Milagre Brasileiro”, que prosseguiu pelos anos seguintes, na primeira metade da década de 70.

Edifício Sede do IRB - Tesouraria (1964)

Edifício Sede do IRB - Tesouraria (1964)