A década de 50, conhecida como “anos dourados”, foi marcada por grandes transformações. Mesmo no Brasil, distante do epicentro da Segunda Guerra Mundial, o alívio era total com o fim do conflito.

Do ponto de vista econômico e com olhar mais frio, pode-se dizer que o confronto trouxe alguns benefícios para a indústria brasileira. A começar pela valorização das matérias-primas nacionais, que contribuiu para o País acumular um expressivo volume de reservas cambiais.

Sabiamente, o governo aplicou boa parte desses recursos na atualização do parque industrial, embora tenha errado ao permitir a utilização de outra parcela considerável na importação descontrolada de bens de consumo. Vale lembrar que, no período da guerra, o Brasil recebera principalmente dos EUA linhas de crédito vultosas, que viabilizaram a implantação da CSN. Após o conflito, os recursos internacionais minguaram drasticamente, pois foram redirecionados para a reconstrução da Europa (o Plano Marshall) e do Oriente (o Plano Colombo).

O governo brasileiro divulgou, em 1949, um plano quinquenal, conjunto de medidas a serem implementadas até 1953, que ficou conhecido como Plano Salte. Na falta de recursos externos, foi preciso então agir rápido e o governo adotou uma política de crédito mais liberal, com empréstimos do Banco do Brasil a setores industriais considerados chaves. Dessa estratégia surgiram a nova fábrica de celulose da Klabin, em Monte Alegre (PR), e a criação da Acesita, no Vale do Rio Doce (MG). Todos esses projetos contaram também com a valiosa cobertura do seguro.

A eleição presidencial de 1950 trouxe Getúlio Vargas de volta ao Palácio do Catete. Com apoio popular, o presidente intensificou a intervenção governamental para direcionar o crescimento econômico brasileiro. Foi assim que surgiu o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE, mais tarde BNDES, com a inclusão do “S”, de Social), criado pela lei nº 1.628, de 20 de junho de 1952.

O BNDES surgiu para ser o braço do governo na implementação das políticas consideradas fundamentais à decolagem da industrialização e o órgão formulador e executor da política nacional de desenvolvimento econômico.

Seus primeiros investimentos foram destinados a reaparelhar portos e ferrovias, aumentar a capacidade de armazenamento, criar frigoríficos e matadouros, elevar o potencial elétrico e desenvolver a agricultura e as indústrias de base. Também nesses projetos o seguro e o IRB, de alguma forma, marcaram presença.

O auge desse processo ocorreu com a eleição de Juscelino Kubitschek para a presidência da República, em 1956. JK instalou rapidamente o Conselho Nacional de Desenvolvimento (CND) e começou a delinear o Plano de Metas, que teve como slogan o famoso “Cinquenta anos em cinco”.

Visita do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira ao IRB (22.01.1957)

Visita do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira ao IRB (22.01.1957)

Na época, o aumento nas vendas de bens de consumo foi bastante expressivo e era preciso tirar do papel as usinas hidrelétricas, linhas de transmissão e siderúrgicas, para produzir o aço com que se fabricavam os eletrodomésticos e automóveis.

Inauguração da Bolsa de Seguros com a presença do presidente Juscelino Kubitschek (1957)

Inauguração da Bolsa de Seguros com a presença do presidente Juscelino Kubitschek (1957)

Exemplo marcante desses novos tempos foi o nascimento de uma indústria automotiva brasileira, símbolo dos anos JK. Em apenas dois anos (1956 a 1957), triplicou o número de ônibus e caminhões fabricados no Brasil. Esse segmento também é um dos que, ao longo das últimas décadas, contou com o seguro e o resseguro como pilar dos seus projetos de desenvolvimento.

Já no final daquela década, veio a grande obra brasileira da primeira metade do Século XX: a construção de Brasília, inaugurada em 21 de abril de 1960.

A partir da década de 50, o IRB passou a aceitar solicitações de resseguro sobre riscos para os ramos de transportes, acidentes pessoais, aeronáuticos, vida, cascos marítimos, automóveis e lucros cessantes, e também instituiu a cobertura de seguro agrário.

O bom relacionamento do IRB com as seguradoras teve também momentos de eventuais rusgas. Foi assim em 1953, quando as seguradoras, decididas a ter uma atuação mais independente em relação ao IRB, decidiram adotar o cosseguro. Era uma forma de fugir do resseguro.

Dois anos antes, essa sinergia corporativista já havia resultado na criação da Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e Capitalização (Fenaseg), inicialmente com apenas cinco sindicatos filiados: Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul.